Análise dos planos

Leitura dos PDFs oficiais publicados pelo TSE (consulta de 24/09/2026; originais no DivulgaCand e no dataset Candidatos - 2026). Este site não republica os arquivos. Critério, o mesmo da shortlist: se a medida cabe no cargo, o que faz com liberdade individual, o que faz com segurança e se o custo de longo prazo tem fonte.

Isto não escolhe voto. Positivo aqui quer dizer: o texto entrega medida operacional, número, prazo ou fonte. Negativo quer dizer: o texto falha nesse teste. O TSE publica o arquivo e não cobra o cumprimento.

Dois avisos de leitura:

Presidente

LULA (13, PT)

Continuidade do mandato: arcabouço fiscal, Novo PAC (cita R$ 1,3 tri até 2026), Nova Indústria Brasil (cita R$ 860 bi em financiamentos 2023–2026), justiça tributária e neoindustrialização. Segurança: integração com estados, asfixia financeira do crime, R$ 10 bi do FIIS para estados e municípios, PEC da Segurança e, se passar, Ministério da Segurança; mantém controle de armas. Educação: subir a alfabetização na idade certa para 80%. Trabalho: fim da escala 6x1 e jornada de 40 horas, nos termos que a Câmara aprovar.

Dinheiro: parte tem fonte no que já está em curso. A expansão futura, em geral, não tem tabela nova de receita ou corte.

RENAN SANTOS (14, Missão)

Resumo do “Livro Amarelo”: Brasil entre as cinco potências em 30 anos. Ajuste de cerca de R$ 250 bi por ano e uma PEC de Transição (desindexar benefício do salário mínimo, desvincular pisos de saúde e educação) com economia projetada de R$ 1,1 tri até 2031. Segurança no primeiro dia: Guerra ao Crime, Direito Penal do Inimigo, Estado de Defesa, prazos processuais de 30/60 dias, superpresídios. Infraestrutura de 2% para pelo menos 4% do PIB. Desfavelização em 10 anos, custo de R$ 1,2 a 1,5 tri, com financiamento imobiliário de longo prazo.

Dinheiro: corte, desindexação e desvinculação. A desfavelização tenta se pagar com prestação, imposto e perda de furto de energia. Não fecha sozinha.

HERTZ DIAS (16, PSTU)

O texto diz que não é promessa eleitoral e que as medidas não cabem na institucionalidade atual. Expropriar mineração, petróleo, energia, siderurgia e grande agro. Petrobras 100% estatal sob controle dos trabalhadores. Fim da escala 6x1, jornada de 36 horas sem corte de salário, dobrar o salário mínimo. Revogar reformas trabalhista e da Previdência. Suspender o pagamento da dívida. Fim da Lei de Responsabilidade Fiscal. Estatizar o sistema financeiro. Descriminalizar drogas, desmilitarizar a PM e unificar as polícias.

Dinheiro: expropriação e suspensão da dívida, não o orçamento ordinário.

EDMILSON COSTA (21, PCB)

Programa de ruptura: Poder Popular, orçamento 100% deliberativo, Constituinte em dois anos com metade dos membros vinda de organizações de trabalhadores, extinção do Senado. Retomar empresas privatizadas, Petrobras 100% estatal, controle de câmbio. Ensino e saúde 100% públicos, com estatização do ensino pago e 10% do PIB em saúde. Tarifa zero no transporte. Fim do serviço militar obrigatório. Desmilitarizar a segurança e descriminalizar o uso de drogas, com legalização da maconha no curto prazo. Aborto com atendimento no SUS.

Dinheiro: tributo sobre capital e suspensão da dívida. Sem planilha de quatro anos.

FLAVIO BOLSONARO (22, PL)

Eixo declarado: segurança primeiro, custo de vida depois, Estado digital, e um “Tesouraço” fiscal. Facções como narcoterrorismo. “Bandido armado com fuzil vai ser abatido.” Cinco presídios federais e meio milhão de vagas em quatro anos. Castração química para estupro e abuso. Maioridade penal aos 16 anos, e punição a partir dos 14 em crime grave. Dobrar o gasto federal em segurança. Um milhão de câmeras com reconhecimento facial. Fim da progressão em crime hediondo. Cortar pelo menos dez ministérios. Revisar a reforma tributária para reduzir o IVA. Digitalizar os serviços federais que derem para digitalizar. Reforma do STF e fim da reeleição.

Dinheiro: corte, desestatização e regra fiscal mais dura. A conta das expansões não fecha no texto.

CLARIANA BARAO (27, DC)

Seis capítulos: proteção de mulheres e crianças, economia, educação, segurança, saúde e Estado digital. Cada bloco traz indicador sugerido (tempo de atendimento, custo de abrir empresa, fila, reincidência). A primeira página avisa que as metas numéricas ainda serão calibradas com diagnóstico, estimativa fiscal e competência federativa.

Dinheiro: ausente.

LEONARDO AVALANCHE (28, PRTB)

Registro ainda pendente de julgamento. Dezenove propostas. Imposto único de 3,5% no lugar de ICMS, ISS, PIS, Cofins, IPI, INSS e IR, com a tese de que o fim da sonegação triplica a arrecadação. “iPhone para todo brasileiro” que concluir curso de empreendedorismo, pago com cerca de R$ 3,5 bi por ano de publicidade oficial. Zerar fila do SUS com mutirão e combate a desperdício. IPVA fixo de R$ 50 por mês. Reconhecimento facial e penas mais duras. Carteira de até R$ 5 mil no primeiro emprego.

Dinheiro: a alíquota única é a fonte. O efeito sobre a receita é afirmação, não conta.

RUI COSTA PIMENTA (29, PCO)

O partido diz que não participa da eleição para fazer promessa: a eleição é tribuna para revolução, governo operário e comunismo. O programa pede aumento emergencial de 50% dos salários, mínimo de pelo menos R$ 7.500, jornada de 35 horas, proibição de demissão, fim da Lei de Responsabilidade Fiscal, reestatização sem indenização, combustível 50% mais barato, dissolução da PM, fim do STF, estatização dos bancos e do sistema de mídia, armamento de trabalhadores do campo.

Dinheiro: expropriação, fim do teto e imposto só sobre capital. Sem orçamento.

ZEMA (30, Novo)

Estado menor, gasto menor, pena mais dura, capital privado. Facções como terrorismo. Forças Armadas na retomada de território. Maioridade penal aos 16. Prisão preventiva na terceira flagrante. Choque fiscal para derrubar juros, cortar IOF, Previdência com idade mínima também para estados, municípios, rural e militar. Concessão do que for viável e PPP onde o mercado não chega. R$ 1.000 ao nascer, aplicado até os 18 anos. Prêmio de R$ 5 mil para quem sair do Bolsa Família. Adulto apto ao trabalho não permanece no benefício se recusar emprego. Regime de trabalho negociado, com jornada diária acima de 8 horas dentro do teto semanal de 44.

Dinheiro: corte, venda de ativo e privado. Não há tabela do quanto entra e do quanto sai.

VETERINÁRIO WILSON GRASSI (35, Democrata)

Plano 2027–2030 com instrumento, indicador e prazo por eixo. O próprio texto diz que não precifica medida por medida. Centro: Imposto Único Federal sobre movimentação (2% no débito e 2% no crédito), para substituir cerca de 12,3% do PIB de tributos federais. IRPF isento até cinco salários mínimos, com custo declarado de R$ 266 bi por ano. ICMS e ISS ficam. Segurança: executar sistemas que já existem (Sinesp/Susp), isolar comando de facção e asfixiar dinheiro. Painel público em seis meses.

Dinheiro: o imposto sobre movimentação, desenhado para não aumentar a carga. O efeito sobre Pix, TED e custo de transação precisa ser lido com cuidado: 2% mais 2% incide em cada ponta.

RONALDO CAIADO (55, PSD)

Pacificação institucional, liderança federal em segurança, gasto corrente crescendo menos que o PIB, sem aumento permanente de carga. Ministério da Segurança. Facções como terrorismo doméstico. Penas mínimas de 45 e 35 anos. Regime em que a progressão só começa depois de 90% da pena. Fundo de combate financiado sobretudo com bens recuperados. Maioridade aos 16 para uma lista de crimes. Saúde com metas até 2030: menos 50% no tempo mediano de filas prioritárias. Alfabetização até o fim do 2º ano. Fim da reeleição consecutiva no Executivo.

Dinheiro: misto. Fonte clara no fundo de bens, no FUST e no crédito agrícola. No resto, rever subsídio e atrair privado, sem montante.

ESCRITOR AUGUSTO CURY (70, Avante)

Ensaio de saúde mental e “cultura da paz” misturado com 18 projetos. Eixo: empreendedorismo em massa diante de desemprego por automação, gestão da emoção na escola, telemedicina e segurança integrada. Números que aparecem: 10 milhões de microempreendedores, fundo de R$ 30 a 50 bi, crédito até R$ 20 mil a juros de 5–6% ao ano, regularizar até 5 milhões de moradias em dez anos ao custo de R$ 145 a 280 bi, telemedicina em cerca de 80% das consultas básicas. Também propõe semipresidencialismo, reforma do STF e fim da reeleição.

Dinheiro: fundo rotativo, banco, PPP e “parte do lucro” de empresa com participação da União. A maioria dos 18 projetos não fecha conta.

SAMARA (80, UP)

Programa socialista. Aumento de 100% do salário mínimo no primeiro momento, em direção ao valor do DIEESE (o texto cita cerca de R$ 7.892 contra mínimo de R$ 1.621). Fim imediato da escala 6x1, escala 4x3 e fim do arcabouço fiscal. Suspender o pagamento da dívida para deslocar cerca de R$ 2 tri para saúde, educação e habitação. Estatizar bancos e setores estratégicos.

Dinheiro: a dívida suspensa e imposto sobre grande fortuna.

Governador (SP)

TARCÍSIO (10, Republicanos)

Plano 2027–2030 em cima do modelo atual. Segurança: integração das forças e mais 30% de câmeras e sensores em dois anos, passando de 160 mil. Saúde: Tabela SUS Paulista que complementa o pagamento do Ministério, meta de 80% dos municípios com cobertura vacinal de pelo menos 95% até 2030, Butantan acima de R$ 4 bi em quatro anos. Educação: mais de R$ 7,2 bi em obra escolar e 35 mil vagas em tempo integral. Saneamento da Sabesp na região metropolitana até 2029, acima de R$ 70 bi. Casa Paulista perto de R$ 9 bi. Portfólio de obras acima de R$ 500 bi (metrô, trem, VLT, BRT).

Dinheiro: orçamento, contrato de concessão e financiamento. Não há imposto novo. Também não há tabela que mostre o que sai para caber o portfólio.

FERNANDO HADDAD (13, PT)

Prioridade declarada: segurança, pelo eixo “impunidade zero”. Placar trimestral de esclarecimento de roubo, furto, homicídio e feminicídio. Polícia e guarda municipal no mesmo mapa de calor. Câmera corporal com gravação contínua. Agência Estadual Antifacção para seguir o dinheiro, com Receita estadual, Ministério Público e convênio federal. Devolução de celular por IMEI. Central contra golpe digital. Delegacia da mulher 24 horas onde a demanda for maior. Prova pericial de violência contra criança em até 48 horas. Alistamento civil remunerado para dezenas de milhares de jovens. Educação: alfabetização na idade certa (o texto cita 61% em SP em 2025, contra 66% no Brasil e 84% no Ceará) e ensino médio ligado ao Paula Souza. Contratos e concessões: quem assumiu entrega no prazo.

Dinheiro: não há tabela. A responsabilidade fiscal é mencionada como rigor contra gasto que não entrega.

VERA LÚCIA (16, PSTU)

Programa socialista. No primeiro ano: reestatizar Metrô, CPTM e serviços essenciais; revogar escola cívico-militar; tarifa zero com transporte estatal; rede contra feminicídio; fim de despejo e desapropriação de imóvel vazio. Saúde 100% estatal, fim das organizações sociais. Educação com 30% da receita de impostos. Bolsa permanência no valor do salário mínimo paulista (R$ 1.874). Extinção da PM e polícia civil única. Bolsa de um salário mínimo a desempregados.

Dinheiro: anular benefício fiscal e taxar grande grupo. O orçamento de 2026 (R$ 382 bi) aparece como denúncia, não como fonte fechada.

CARLOS MACHADO (21, PCB)

Reestatizar com uma conta ao lado. Revisar renúncia fiscal, mantendo cesta básica, medicamento e agricultura familiar: o texto estima R$ 70,6 bi a mais. ITCMD progressivo até 8%: mais R$ 5 bi. Capacidade extra de cerca de R$ 70 bi por ano, dos quais R$ 40 bi para um fundo de reindustrialização. Saúde: R$ 12 bi por ano de investimento (R$ 8 bi obra, R$ 3 bi equipamento, R$ 1 bi manutenção), além do orçamento ordinário. Tarifa zero gradual, com fundo estadual. Na segurança, transição de doutrina e conselho popular. O texto admite que desmilitarizar de vez depende da Constituição e não propõe extinguir a PM no ato.

Dinheiro: renúncia revista, ITCMD e dívida ativa. O plano diz que não sobe imposto sobre salário e consumo.

IZADORA DIAS (29, PCO)

Mesmo arquivo de Rui Costa Pimenta. Programa nacional de revolução, salário, terra e dissolução do aparato policial. Registro indeferido com recurso; ainda consta da urna.

VIVIAN MENDES (80, UP)

Três PDFs. O do meio é panfleto (“o socialismo chega”). Os outros dois propõem reestatizar Sabesp, Enel, EMAE e linhas privatizadas de trem e metrô. Fim do modelo de organização social na saúde. Concursos e reajuste de professor pelo menos pela inflação de dez anos. Fim da militarização das escolas. Desmilitarizar a PM e unificar com a Polícia Civil. Redução gradual de tarifa. O aumento de 100% do salário mínimo e o fim da escala 6x1 aparecem como luta nacional, com a admissão de que a competência é federal. Cita R$ 85 bi de isenção em 2026, contra R$ 37,9 bi de saúde e R$ 20,1 bi de segurança.

Dinheiro: cortar isenção de grande empresa e redirecionar orçamento. Sem a conta de quanto volta.

Como usar isto na shortlist

A coluna “plano lido?” da shortlist fica em branco. Esta página é a leitura de quem extraiu o PDF, não uma decisão de voto.

Pergunta prática, cargo a cargo: a medida cabe em quem você vai eleger, tem número que dá para cobrar em 2030, e a conta não empurra o custo para depois sem dizer de onde sai. Se a resposta não couber numa linha na coluna “nota”, o próprio critério da shortlist diz que ainda não está decidido.