Análise dos planos
Leitura dos PDFs oficiais publicados pelo TSE (consulta de 24/09/2026; originais no DivulgaCand e no dataset Candidatos - 2026). Este site não republica os arquivos. Critério, o mesmo da shortlist: se a medida cabe no cargo, o que faz com liberdade individual, o que faz com segurança e se o custo de longo prazo tem fonte.
Isto não escolhe voto. Positivo aqui quer dizer: o texto entrega medida operacional, número, prazo ou fonte. Negativo quer dizer: o texto falha nesse teste. O TSE publica o arquivo e não cobra o cumprimento.
Dois avisos de leitura:
- Lula e Tarcísio misturam balanço do mandato atual com o que fariam depois. Número citado nem sempre é promessa nova.
- O PDF de Rui Costa Pimenta (presidente, PCO) e o de Izadora Dias (governadora, PCO) são o mesmo arquivo.
Presidente
LULA (13, PT)
Continuidade do mandato: arcabouço fiscal, Novo PAC (cita R$ 1,3 tri até 2026), Nova Indústria Brasil (cita R$ 860 bi em financiamentos 2023–2026), justiça tributária e neoindustrialização. Segurança: integração com estados, asfixia financeira do crime, R$ 10 bi do FIIS para estados e municípios, PEC da Segurança e, se passar, Ministério da Segurança; mantém controle de armas. Educação: subir a alfabetização na idade certa para 80%. Trabalho: fim da escala 6x1 e jornada de 40 horas, nos termos que a Câmara aprovar.
- O plano nomeia instrumentos e valores que já existem (PAC, indústria, FIIS), então dá para cobrar continuidade em vez de slogan.
- A meta de alfabetização tem linha de base no próprio texto (66% em 2025, meta anterior de 64%, alvo de 80%).
- A âncora fiscal está escrita: manter o arcabouço.
- Boa parte do PDF é relatório do mandato. O próximo período muitas vezes só “amplia” ou “dá sequência”, sem prazo novo.
- Regulação de redes contra desinformação e discurso de ódio não define o limite da liberdade de expressão.
- PEC da Segurança, jornada de 40 horas e reestruturação da Previdência dependem do Congresso. O custo da jornada mais curta não está dimensionado.
- Segurança na ponta (polícia ostensiva, presídio estadual) é de estado. A União entra com lei, dinheiro e coordenação.
Dinheiro: parte tem fonte no que já está em curso. A expansão futura, em geral, não tem tabela nova de receita ou corte.
RENAN SANTOS (14, Missão)
Resumo do “Livro Amarelo”: Brasil entre as cinco potências em 30 anos. Ajuste de cerca de R$ 250 bi por ano e uma PEC de Transição (desindexar benefício do salário mínimo, desvincular pisos de saúde e educação) com economia projetada de R$ 1,1 tri até 2031. Segurança no primeiro dia: Guerra ao Crime, Direito Penal do Inimigo, Estado de Defesa, prazos processuais de 30/60 dias, superpresídios. Infraestrutura de 2% para pelo menos 4% do PIB. Desfavelização em 10 anos, custo de R$ 1,2 a 1,5 tri, com financiamento imobiliário de longo prazo.
- É um dos poucos planos com cifra fiscal e de habitação no mesmo documento.
- Liga segurança territorial e moradia, com prazo de dez anos para a desfavelização.
- Direito Penal do Inimigo, Estado de Defesa e restrição de garantias batem de frente com liberdade individual.
- Fundir municípios (o texto fala em cortar até cerca de 70% deles) e mudar o regime penal não são ato do presidente sozinho.
- O custo de R$ 1,2–1,5 tri em dez anos continua alto mesmo com a receita que o plano espera recuperar.
- O PDF avisa que é condensado. O detalhe fica num livro de mais de 500 páginas, fora do registro eleitoral.
Dinheiro: corte, desindexação e desvinculação. A desfavelização tenta se pagar com prestação, imposto e perda de furto de energia. Não fecha sozinha.
HERTZ DIAS (16, PSTU)
O texto diz que não é promessa eleitoral e que as medidas não cabem na institucionalidade atual. Expropriar mineração, petróleo, energia, siderurgia e grande agro. Petrobras 100% estatal sob controle dos trabalhadores. Fim da escala 6x1, jornada de 36 horas sem corte de salário, dobrar o salário mínimo. Revogar reformas trabalhista e da Previdência. Suspender o pagamento da dívida. Fim da Lei de Responsabilidade Fiscal. Estatizar o sistema financeiro. Descriminalizar drogas, desmilitarizar a PM e unificar as polícias.
- As reivindicações de trabalho são explícitas: 6x1, 36 horas, dobrar o mínimo.
- A fonte está nomeada: expropriação, imposto sobre fortunas a partir de R$ 1 bi, dívida ativa e suspensão da dívida pública.
- O próprio plano avisa que não se executa dentro das regras atuais. Não é programa de um mandato.
- Dobrar o mínimo, pagar bolsa de um salário mínimo a desempregados e estatizar setores não tem conta de transição.
- Desmilitarizar a PM e descriminalizar drogas reorganizam a segurança sem plano operacional de transição.
- Quase tudo depende de ruptura constitucional, não de decreto presidencial.
Dinheiro: expropriação e suspensão da dívida, não o orçamento ordinário.
EDMILSON COSTA (21, PCB)
Programa de ruptura: Poder Popular, orçamento 100% deliberativo, Constituinte em dois anos com metade dos membros vinda de organizações de trabalhadores, extinção do Senado. Retomar empresas privatizadas, Petrobras 100% estatal, controle de câmbio. Ensino e saúde 100% públicos, com estatização do ensino pago e 10% do PIB em saúde. Tarifa zero no transporte. Fim do serviço militar obrigatório. Desmilitarizar a segurança e descriminalizar o uso de drogas, com legalização da maconha no curto prazo. Aborto com atendimento no SUS.
- A direção é inequívoca: o leitor sabe o que o partido quer fazer com Estado, propriedade e segurança.
- Há fonte declarada: imposto progressivo, taxar lucro, dividendo e grande fortuna, suspensão dos juros da dívida.
- Tarifa zero, saúde a 10% do PIB e estatização do ensino privado não têm transição fiscal.
- Constituinte, fim do Senado e retomada de empresas privatizadas não cabem num mandato presidencial comum.
- Trocar “segurança pública” por “segurança dos direitos” e legalizar drogas muda o modelo de segurança sem desenho de implementação.
- O texto rejeita saída reformista. Quem quer ajuste dentro da Constituição não encontra instrumento aqui.
Dinheiro: tributo sobre capital e suspensão da dívida. Sem planilha de quatro anos.
FLAVIO BOLSONARO (22, PL)
Eixo declarado: segurança primeiro, custo de vida depois, Estado digital, e um “Tesouraço” fiscal. Facções como narcoterrorismo. “Bandido armado com fuzil vai ser abatido.” Cinco presídios federais e meio milhão de vagas em quatro anos. Castração química para estupro e abuso. Maioridade penal aos 16 anos, e punição a partir dos 14 em crime grave. Dobrar o gasto federal em segurança. Um milhão de câmeras com reconhecimento facial. Fim da progressão em crime hediondo. Cortar pelo menos dez ministérios. Revisar a reforma tributária para reduzir o IVA. Digitalizar os serviços federais que derem para digitalizar. Reforma do STF e fim da reeleição.
- Segurança e Estado têm número e prazo: vagas, presídios, câmeras, ministérios, digitalização.
- O corte de ministérios e de comissionados é medida que a Presidência consegue começar.
- Reduzir IVA e o custo da conta de luz está escrito como objetivo, não só como adjetivo.
- “Abatido” e reconhecimento facial em massa não trazem protocolo, critério nem salvaguarda de privacidade.
- Castração química, maioridade penal e reforma do STF dependem de lei ou emenda.
- Meio milhão de vagas, um milhão de câmeras e o dobro do gasto em segurança não têm fonte ao lado do corte de impostos. O Tesouraço não diz quanto corta e quanto gasta.
- Polícia ostensiva e a maior parte das vagas prisionais são estaduais.
Dinheiro: corte, desestatização e regra fiscal mais dura. A conta das expansões não fecha no texto.
CLARIANA BARAO (27, DC)
Seis capítulos: proteção de mulheres e crianças, economia, educação, segurança, saúde e Estado digital. Cada bloco traz indicador sugerido (tempo de atendimento, custo de abrir empresa, fila, reincidência). A primeira página avisa que as metas numéricas ainda serão calibradas com diagnóstico, estimativa fiscal e competência federativa.
- O plano separa o que é indicador do que ainda não é meta. Isso é mais honesto do que número inventado.
- Segurança, liberdade econômica e primeira infância aparecem como eixos, alinhados ao critério de corte.
- Reconhece competência federativa em vez de prometer tudo como se fosse decreto.
- Não há real, prazo nem fonte. O texto se repete (“transformar o eixo em agenda executável”) sem dizer a medida.
- Do jeito que está, não dá para testar em quatro anos. Falta a calibração que a própria nota metodológica promete.
Dinheiro: ausente.
LEONARDO AVALANCHE (28, PRTB)
Registro ainda pendente de julgamento. Dezenove propostas. Imposto único de 3,5% no lugar de ICMS, ISS, PIS, Cofins, IPI, INSS e IR, com a tese de que o fim da sonegação triplica a arrecadação. “iPhone para todo brasileiro” que concluir curso de empreendedorismo, pago com cerca de R$ 3,5 bi por ano de publicidade oficial. Zerar fila do SUS com mutirão e combate a desperdício. IPVA fixo de R$ 50 por mês. Reconhecimento facial e penas mais duras. Carteira de até R$ 5 mil no primeiro emprego.
- Há preço e alíquota escritos, então a proposta é testável: 3,5% substitui ou não substitui a arrecadação atual.
- A fonte do iPhone está nomeada (verba de publicidade), o que permite checar se R$ 3,5 bi cobrem o prometido.
- Imposto único que engole ICMS e ISS exige emenda e adesão de estado e município.
- “Triplicar a arrecadação” e zerar fila do SUS não têm estudo de impacto no PDF.
- Reconhecimento facial e aplicativo estatal de transporte entram sem salvaguarda nem custo.
Dinheiro: a alíquota única é a fonte. O efeito sobre a receita é afirmação, não conta.
RUI COSTA PIMENTA (29, PCO)
O partido diz que não participa da eleição para fazer promessa: a eleição é tribuna para revolução, governo operário e comunismo. O programa pede aumento emergencial de 50% dos salários, mínimo de pelo menos R$ 7.500, jornada de 35 horas, proibição de demissão, fim da Lei de Responsabilidade Fiscal, reestatização sem indenização, combustível 50% mais barato, dissolução da PM, fim do STF, estatização dos bancos e do sistema de mídia, armamento de trabalhadores do campo.
- O texto é claro sobre o que é: programa de luta, não plano de governo.
- Há números (50%, R$ 7.500, R$ 8,5 mil de piso para professor, 35 horas).
- Defende liberdade de expressão e o fim da censura, no mesmo bloco em que estatiza a mídia e cancela concessão.
- Quase nenhum item cabe num mandato presidencial dentro da Constituição.
- Dissolver a PM, armar trabalhadores e acabar com a responsabilidade fiscal são o oposto de segurança institucional e de custo controlado.
- O mesmo PDF foi protocolado para a governadora do PCO em SP. Não há um plano estadual.
Dinheiro: expropriação, fim do teto e imposto só sobre capital. Sem orçamento.
ZEMA (30, Novo)
Estado menor, gasto menor, pena mais dura, capital privado. Facções como terrorismo. Forças Armadas na retomada de território. Maioridade penal aos 16. Prisão preventiva na terceira flagrante. Choque fiscal para derrubar juros, cortar IOF, Previdência com idade mínima também para estados, municípios, rural e militar. Concessão do que for viável e PPP onde o mercado não chega. R$ 1.000 ao nascer, aplicado até os 18 anos. Prêmio de R$ 5 mil para quem sair do Bolsa Família. Adulto apto ao trabalho não permanece no benefício se recusar emprego. Regime de trabalho negociado, com jornada diária acima de 8 horas dentro do teto semanal de 44.
- O ajuste está nomeado: Previdência, estrutura do Estado, concessões, menos crédito direcionado.
- R$ 1.000 ao nascer e o prêmio de R$ 5 mil são propostas com valor, dá para estimar o custo.
- Portabilidade de dívida e menos IOF atacam o custo do crédito sem criar programa novo de gasto corrente.
- R$ 1.000 por nascimento e o prêmio do Bolsa não têm fonte ao lado.
- Condicionar o Bolsa Família e afrouxar a jornada diária mexem em proteção e em liberdade de quem depende do benefício ou do salário.
- Maioridade penal, emprego das Forças Armadas na segurança urbana e “estados criando crimes” dependem de emenda. Polícia é estadual.
- Queda de imposto e “zerar pobreza” não têm ano.
Dinheiro: corte, venda de ativo e privado. Não há tabela do quanto entra e do quanto sai.
VETERINÁRIO WILSON GRASSI (35, Democrata)
Plano 2027–2030 com instrumento, indicador e prazo por eixo. O próprio texto diz que não precifica medida por medida. Centro: Imposto Único Federal sobre movimentação (2% no débito e 2% no crédito), para substituir cerca de 12,3% do PIB de tributos federais. IRPF isento até cinco salários mínimos, com custo declarado de R$ 266 bi por ano. ICMS e ISS ficam. Segurança: executar sistemas que já existem (Sinesp/Susp), isolar comando de facção e asfixiar dinheiro. Painel público em seis meses.
- É o plano presidencial com a conta fiscal mais explícita deste conjunto.
- Admite o que a Presidência não faz sozinha e separa tributo federal de ICMS/ISS.
- Segurança parte de sistema já criado, em vez de inventar outro ministério como primeira medida.
- A alíquota definitiva fica para estudo. A emenda constitucional é pré-requisito.
- A contribuição previdenciária do empregado fica em aberto, e é ela que financia uma parte grande da aposentadoria.
- Sem orçamento por programa, o custo de segurança e educação continua verbo.
Dinheiro: o imposto sobre movimentação, desenhado para não aumentar a carga. O efeito sobre Pix, TED e custo de transação precisa ser lido com cuidado: 2% mais 2% incide em cada ponta.
RONALDO CAIADO (55, PSD)
Pacificação institucional, liderança federal em segurança, gasto corrente crescendo menos que o PIB, sem aumento permanente de carga. Ministério da Segurança. Facções como terrorismo doméstico. Penas mínimas de 45 e 35 anos. Regime em que a progressão só começa depois de 90% da pena. Fundo de combate financiado sobretudo com bens recuperados. Maioridade aos 16 para uma lista de crimes. Saúde com metas até 2030: menos 50% no tempo mediano de filas prioritárias. Alfabetização até o fim do 2º ano. Fim da reeleição consecutiva no Executivo.
- O fundo de segurança tem fonte (bem recuperado), e a saúde tem ano (2027–2030).
- O ajuste não se financia com imposto novo permanente. Isso está escrito.
- Cada missão deveria ter orçamento, meta e painel. O método é cobrável.
- Ministério novo, fronteira, presídio máximo e teleconsultoria em toda equipe não têm custo ao lado do fundo de bens.
- Pena de 45 anos, progressão só após 90% e monitoramento de conversa com advogado comprimem garantia individual.
- Tipificar facção como terrorismo doméstico e usar Forças Armadas sem GLO depende de lei e de leitura constitucional.
- Levar investimento de 17% para 25% do PIB não tem ano.
Dinheiro: misto. Fonte clara no fundo de bens, no FUST e no crédito agrícola. No resto, rever subsídio e atrair privado, sem montante.
ESCRITOR AUGUSTO CURY (70, Avante)
Ensaio de saúde mental e “cultura da paz” misturado com 18 projetos. Eixo: empreendedorismo em massa diante de desemprego por automação, gestão da emoção na escola, telemedicina e segurança integrada. Números que aparecem: 10 milhões de microempreendedores, fundo de R$ 30 a 50 bi, crédito até R$ 20 mil a juros de 5–6% ao ano, regularizar até 5 milhões de moradias em dez anos ao custo de R$ 145 a 280 bi, telemedicina em cerca de 80% das consultas básicas. Também propõe semipresidencialismo, reforma do STF e fim da reeleição.
- Há faixa de custo e meta de escala no bloco de comunidades e no fundo do empreendedor.
- Telemedicina com percentual é uma meta que dá para acompanhar.
- Déficit perto de zero e corte de gasto improdutivo estão no texto.
- Grande parte é metodologia do próprio autor, sem desenho orçamentário.
- Reconhecimento facial e cota de efetivo municipal na segurança saem da competência da União e apertam privacidade.
- Semipresidencialismo e reforma do STF não são política de governo; são emenda.
- Dez mil agroindústrias, dobrar comércio e dobrar cooperativismo não têm cronograma fiscal.
Dinheiro: fundo rotativo, banco, PPP e “parte do lucro” de empresa com participação da União. A maioria dos 18 projetos não fecha conta.
SAMARA (80, UP)
Programa socialista. Aumento de 100% do salário mínimo no primeiro momento, em direção ao valor do DIEESE (o texto cita cerca de R$ 7.892 contra mínimo de R$ 1.621). Fim imediato da escala 6x1, escala 4x3 e fim do arcabouço fiscal. Suspender o pagamento da dívida para deslocar cerca de R$ 2 tri para saúde, educação e habitação. Estatizar bancos e setores estratégicos.
- O pacote trabalhista tem prazo (“primeiro momento”) e número.
- A fonte principal está dita: parar de pagar a dívida.
- Suspender a dívida e estatizar banco não são rotina de um mandato.
- Dobrar o mínimo e derrubar o arcabouço não têm transição.
- Saúde, saneamento e moradia na ponta são de estado e município. O plano trata como se a Presidência entregasse o serviço.
Dinheiro: a dívida suspensa e imposto sobre grande fortuna.
Governador (SP)
TARCÍSIO (10, Republicanos)
Plano 2027–2030 em cima do modelo atual. Segurança: integração das forças e mais 30% de câmeras e sensores em dois anos, passando de 160 mil. Saúde: Tabela SUS Paulista que complementa o pagamento do Ministério, meta de 80% dos municípios com cobertura vacinal de pelo menos 95% até 2030, Butantan acima de R$ 4 bi em quatro anos. Educação: mais de R$ 7,2 bi em obra escolar e 35 mil vagas em tempo integral. Saneamento da Sabesp na região metropolitana até 2029, acima de R$ 70 bi. Casa Paulista perto de R$ 9 bi. Portfólio de obras acima de R$ 500 bi (metrô, trem, VLT, BRT).
- Vários compromissos têm ano e valor: saneamento 2029, câmeras em dois anos, vacina 2030.
- O núcleo é competência de governador: PM, educação estadual, SUS estadual, metrô, meio ambiente.
- Saneamento e obras grandes estão quantificados, então o custo de longo prazo aparece.
- Muito do PDF é balanço de 2023–2026. A fronteira entre o que já foi feito e o que falta fazer precisa ser relida item a item.
- O portfólio de R$ 500 bi não vem com fonte obra a obra.
- O saneamento segue o contrato da Sabesp desestatizada. Quem recusa esse modelo não acha alternativa neste plano.
- Escolas cívico-militares são ampliadas sem escala nem custo no trecho das metas.
Dinheiro: orçamento, contrato de concessão e financiamento. Não há imposto novo. Também não há tabela que mostre o que sai para caber o portfólio.
FERNANDO HADDAD (13, PT)
Prioridade declarada: segurança, pelo eixo “impunidade zero”. Placar trimestral de esclarecimento de roubo, furto, homicídio e feminicídio. Polícia e guarda municipal no mesmo mapa de calor. Câmera corporal com gravação contínua. Agência Estadual Antifacção para seguir o dinheiro, com Receita estadual, Ministério Público e convênio federal. Devolução de celular por IMEI. Central contra golpe digital. Delegacia da mulher 24 horas onde a demanda for maior. Prova pericial de violência contra criança em até 48 horas. Alistamento civil remunerado para dezenas de milhares de jovens. Educação: alfabetização na idade certa (o texto cita 61% em SP em 2025, contra 66% no Brasil e 84% no Ceará) e ensino médio ligado ao Paula Souza. Contratos e concessões: quem assumiu entrega no prazo.
- O indicador central é o certo para o cargo: taxa de elucidação, com placar público.
- Câmera contínua, IMEI, 48 horas de perícia e delegacia 24 horas são medidas operacionais de estado.
- A agência antifacção ataca o dinheiro do crime, não só a viatura.
- Quase não há real nem ano. “Dezenas de milhares” de jovens e “elevar a elucidação” não dizem quanto nem até quando.
- Salário policial “para sair do fundo do ranking” não diz o piso nem de onde sai a folha.
- O plano de gestão com metas fica para depois da eleição. Até lá, a cobrança é mais fraca do que a de um PDF que já traz o número.
Dinheiro: não há tabela. A responsabilidade fiscal é mencionada como rigor contra gasto que não entrega.
VERA LÚCIA (16, PSTU)
Programa socialista. No primeiro ano: reestatizar Metrô, CPTM e serviços essenciais; revogar escola cívico-militar; tarifa zero com transporte estatal; rede contra feminicídio; fim de despejo e desapropriação de imóvel vazio. Saúde 100% estatal, fim das organizações sociais. Educação com 30% da receita de impostos. Bolsa permanência no valor do salário mínimo paulista (R$ 1.874). Extinção da PM e polícia civil única. Bolsa de um salário mínimo a desempregados.
- As cinco medidas do primeiro ano são uma lista curta, dá para saber a prioridade.
- Tarifa zero ligada a sistema estatal, bolsa com valor e os 30% da educação são checáveis.
- Reestatizar sem indenização não tem roteiro jurídico nem custo.
- Extinguir a PM depende de emenda constitucional. O plano não descreve a transição.
- Fim da escala 6x1, aborto e estatização de empresa federal estão fora do que um governador decide.
- Tarifa zero e bolsa-desemprego saem de “taxar os grandes”, sem conta.
Dinheiro: anular benefício fiscal e taxar grande grupo. O orçamento de 2026 (R$ 382 bi) aparece como denúncia, não como fonte fechada.
CARLOS MACHADO (21, PCB)
Reestatizar com uma conta ao lado. Revisar renúncia fiscal, mantendo cesta básica, medicamento e agricultura familiar: o texto estima R$ 70,6 bi a mais. ITCMD progressivo até 8%: mais R$ 5 bi. Capacidade extra de cerca de R$ 70 bi por ano, dos quais R$ 40 bi para um fundo de reindustrialização. Saúde: R$ 12 bi por ano de investimento (R$ 8 bi obra, R$ 3 bi equipamento, R$ 1 bi manutenção), além do orçamento ordinário. Tarifa zero gradual, com fundo estadual. Na segurança, transição de doutrina e conselho popular. O texto admite que desmilitarizar de vez depende da Constituição e não propõe extinguir a PM no ato.
- É o plano de oposição em SP com a tabela fiscal mais clara.
- Saúde tem valor anual e destinação.
- Tarifa zero entra como transição com fundo, não como slogan solto.
- Reconhece o limite constitucional da PM, ao contrário de planos que decretam a extinção.
- R$ 70,6 bi de renúncia recuperada é estimativa agressiva. Se a receita não vier, o resto do programa perde a fonte.
- R$ 40 bi por ano só para indústria disputam o mesmo bolo da saúde, da escola e do transporte.
- Reestatizar energia e mobilidade não traz cronograma nem custo de indenização ou de rescisão de contrato.
Dinheiro: renúncia revista, ITCMD e dívida ativa. O plano diz que não sobe imposto sobre salário e consumo.
IZADORA DIAS (29, PCO)
Mesmo arquivo de Rui Costa Pimenta. Programa nacional de revolução, salário, terra e dissolução do aparato policial. Registro indeferido com recurso; ainda consta da urna.
- Vale o que está na ficha do PCO à Presidência: o documento não é um plano de governo de São Paulo.
- Não há medida de Metrô, Sabesp, PM ou escola estadual desenhada para o cargo.
- O custo e a competência falham pelo mesmo motivo: o texto pede ruptura nacional.
VIVIAN MENDES (80, UP)
Três PDFs. O do meio é panfleto (“o socialismo chega”). Os outros dois propõem reestatizar Sabesp, Enel, EMAE e linhas privatizadas de trem e metrô. Fim do modelo de organização social na saúde. Concursos e reajuste de professor pelo menos pela inflação de dez anos. Fim da militarização das escolas. Desmilitarizar a PM e unificar com a Polícia Civil. Redução gradual de tarifa. O aumento de 100% do salário mínimo e o fim da escala 6x1 aparecem como luta nacional, com a admissão de que a competência é federal. Cita R$ 85 bi de isenção em 2026, contra R$ 37,9 bi de saúde e R$ 20,1 bi de segurança.
- A comparação isenção versus saúde e segurança torna o conflito de orçamento visível.
- Concursos, reajuste pela inflação acumulada e fim da militarização escolar são medidas de estado.
- A redução de tarifa é gradual, o que é mais realista do que tarifa zero imediata sem fundo.
- Falta “R$ X até o ano Y” na maior parte das áreas.
- Unificar PM e Polícia Civil não tem a transição legal que o plano do PCB pelo menos admite.
- Reestatizar a Enel esbarra em concessão e na regulação federal. O PDF não mostra o caminho.
- Não há a tabela de recuperação de receita que o PCB publicou.
Dinheiro: cortar isenção de grande empresa e redirecionar orçamento. Sem a conta de quanto volta.
Como usar isto na shortlist
A coluna “plano lido?” da shortlist fica em branco. Esta página é a leitura de quem extraiu o PDF, não uma decisão de voto.
Pergunta prática, cargo a cargo: a medida cabe em quem você vai eleger, tem número que dá para cobrar em 2030, e a conta não empurra o custo para depois sem dizer de onde sai. Se a resposta não couber numa linha na coluna “nota”, o próprio critério da shortlist diz que ainda não está decidido.