O que fizeram no cargo (set/2022–set/2026)
Janela: 24/09/2022 a 24/09/2026. Cargo público eletivo ou de governo. Direção de partido, candidatura perdida e movimento social ficam de fora.
Fonte: G1, Folha, Estadão, O Globo, Valor, UOL, CNN Brasil, BBC News Brasil e, no caso do Flávio, a ficha do Senado. Número de crime é o que a polícia publicou e o veículo reproduziu, salvo quando o texto cita o Atlas da Violência. Declaração do próprio político está marcada como fala dele.
Quem entra
| Nome | Cargo no período | Saída |
|---|---|---|
| Lula | Presidente desde 1º/01/2023 | Segue no cargo; disputa a reeleição |
| Fernando Haddad | Ministro da Fazenda, 2023–20/03/2026 | Exonerado a pedido no DOU; Dario Durigan assume (G1, Valor) |
| Tarcísio | Governador de SP desde 01/01/2023 | Segue no cargo; disputa a reeleição |
| Flávio Bolsonaro | Senador pelo RJ (mandato 2019–2027) | Seguia senador em maio de 2026 (Folha) |
| Romeu Zema | Governador de MG | Renunciou em 22/03/2026; Mateus Simões assumiu (UOL) |
| Ronaldo Caiado | Governador de GO | Renunciou em 31/03/2026; Daniel Vilela assumiu (G1) |
Zema e Caiado saíram no prazo de desincompatibilização, que fechou em 4/04/2026, seis meses antes do 1º turno (G1).
Quem fica de fora
Nos perfis de G1, O Globo, NSC Total e Metrópoles, não há cargo público exercido neste intervalo:
- Renan Santos: ativista, primeira eleição (G1).
- Hertz Dias, Edmilson Costa, Clariana Barao, Wilson Grassi, Augusto Cury, Samara, Rui Costa Pimenta: descritos como professor, advogada, veterinário, escritor, dentista ou jornalista, sem mandato no período (G1 e O Globo).
- Vera Lúcia: várias candidaturas, nenhuma eleita; a mais recente à Presidência foi em 2022 (Metrópoles).
- Carlos Machado: o NSC Total registra que nunca exerceu cargo político; em 2024 foi candidato a vice-prefeito de Franca e não se elegeu.
- Vivian Mendes: candidata ao Senado por SP em 2022, não eleita (NSC Total).
- Izadora Dias: candidata anterior a vereadora e deputada federal, sem notícia de mandato.
Lula — presidente
A agenda econômica do mandato foi conduzida por Haddad até março de 2026. O que o Planalto fez, com fonte:
- Substituiu o teto de gastos pelo arcabouço fiscal. A regra limita o crescimento real da despesa a uma faixa de 0,6% a 2,5% ao ano e a 70% do crescimento da receita (50% se a meta do ano anterior furar). A meta anunciada em 2023 era déficit zero em 2024, superávit de 0,5% do PIB em 2025 e de 1% em 2026 (BBC, Folha). Em 2024 a equipe reduziu as metas de 2025 e 2026 (Estadão).
- Reforma tributária do consumo promulgada em 20/12/2023. Cria CBS (federal) e IBS (estados e municípios) no lugar de cinco tributos, com transição de 2026 a 2033 (O Globo).
- Novo PAC, lançado em agosto de 2023, com previsão de R$ 1,3 tri até o fim de 2026. Balanço da Casa Civil até dezembro de 2024, reproduzido pelo G1: mais de R$ 700 bi investidos; 48% disso privado; só R$ 71,3 bi (cerca de 10%) saíram do Orçamento da União. De 23 mil empreendimentos, 48,6% ainda estavam em fase preparatória, 22,4% em obra e 16,6% concluídos (G1).
- Desmatamento na Amazônia Legal no ciclo anunciado em 30/10/2025: 5.796 km², 11% abaixo do ciclo anterior e o terceiro menor da série desde 1988. A Folha registra queda acumulada de 50% na Amazônia e 34,9% no Cerrado desde 2023. O G1 lembra que 2022 fechou em 11.594 km² (Folha, G1).
- Reajuste real do salário mínimo foi limitado a 2,5% acima da inflação. O Estadão registra que Haddad defendia outro indexador e não convenceu Lula; economistas citados pelo jornal estimam que o teto de 2,5% segurou cerca de R$ 11 bi em dois anos e, ainda assim, não segura a trajetória da dívida.
Fernando Haddad — Fazenda
Mesma agenda, do lado de quem negociou no Congresso. Folha, G1, Estadão e CNN convergem nestes marcos:
- Anunciado na transição, em dezembro de 2022. A PEC da Transição abriu espaço no Orçamento para o aumento real do salário mínimo e para manter o Bolsa Família em R$ 600 (Folha, 20/03/2026).
- Arcabouço apresentado em março de 2023 e aprovado no mesmo ano. O texto da Câmara, em maio, passou por 372 a 108 (Folha).
- Reforma do consumo promulgada em dezembro de 2023. A regulamentação seguiu em 2024 e 2025. Em dezembro de 2023 a S&P elevou a nota de crédito do Brasil e citou o novo sistema (Folha).
- Novembro de 2023: tributação de fundos exclusivos e offshores. Setembro de 2024: reoneração gradual da folha de 17 setores até 2028, depois de meses de disputa com o Congresso. Fim de 2025: corte de benefícios fiscais e reforma do Imposto de Renda. A isenção para quem ganha até R$ 5 mil entrou em vigor em 1º/01/2026, compensada por alíquota progressiva de até 10% sobre rendimentos acima de R$ 1,2 milhão por ano, inclusive dividendos (CNN).
- A CNN afirma que 2024 e 2025 fecharam dentro da meta, com déficit zero. O Estadão afirma que, um ano depois de anunciar o arcabouço, a equipe reduziu as metas de 2025 e 2026, e que despesas foram sendo tiradas do teto. As duas frases podem conviver: a meta foi alterada e o resultado coube na meta nova. Não fechei qual número oficial de primário vale para cada ano.
- Saiu em 20/03/2026 para ser candidato ao governo de SP.
Tarcísio — governo de SP
- Privatização da Sabesp concluída em 23/07/2024. O estado vendeu 32% das ações, arrecadou R$ 14,8 bi e caiu de 50,3% para 18% do capital. A Equatorial ficou com 15% e foi a única interessada no bloco de referência. A meta anunciada é universalizar água e esgoto em 2029, antes de 2033, com previsão de R$ 69 bi investidos até 2029 e R$ 260 bi até 2060. Mais de R$ 4 bi da venda foram para um fundo de garantia do consumidor e de tarifa (Folha, G1). O PT questionou a lei na Justiça (G1).
- Segurança em 2024, segundo a SSP e a Folha de 31/01/2025: 193.658 roubos no estado, queda de 15% e o menor número da série desde 2001. Homicídio doloso: 2.630 vítimas, queda de 3,5%, também o menor desde 2001. Na capital, 498 homicídios, queda de 3,5%. Latrocínio subiu de 167 para 170. Mortes provocadas pela polícia chegaram ao maior patamar desde 2020. A SSP atribuiu a queda de roubo e homicídio a policiamento, inteligência e mais de 9 mil policiais novos (Folha).
Flávio Bolsonaro — Senado
Levantamento da Folha de 29/05/2026, com a resposta da assessoria no mesmo texto:
- Autor ou coautor de 57 projetos de lei e 92 PECs. A maior parte é de segurança. Das 92 PECs, 4 foram de iniciativa dele.
- Em pouco mais de sete anos, nenhum projeto de autoria própria virou lei. Duas propostas em que foi coautor entraram em vigor, e nenhuma das duas é de segurança: isenção de IPVA para veículo com mais de 20 anos e uma lei de microcrédito.
- Em 2024 foi relator, no plenário, do projeto que acabou com a saída temporária de presos (“saidinha”). Esse projeto virou lei.
- Dois projetos dele passaram no Senado e ainda tramitavam na Câmara: um inclui uma associação de reabilitação entre beneficiários de loteria; o outro trata do descarte de bateria de carro elétrico.
- Pautas que protocolou e não saíram do papel, segundo a Folha: penas mais duras, prisão como única cautelar em flagrante de crime hediondo, maioridade penal aos 16 em crime hediondo, fim da reeleição presidencial, medida protetiva de urgência dada por policial.
- O Senado rejeitou enquadrar PCC e CV como organizações terroristas. A Folha registra que Flávio não estava no plenário e não defendeu a proposta.
- Emendas de 2020 a 2026: R$ 271 mi empenhados. Metade vai obrigatoriamente para saúde. Na outra metade, 16% (cerca de R$ 43,7 mi) foram para o Ministério da Justiça. O estado do Rio recebeu R$ 14,5 mi.
- A assessoria diz que ele atuou na Lei Antifacção, no fim das saidinhas e na reforma tributária, e que a tramitação não depende só do autor. Também diz que é o parlamentar que mais destinou recurso de emenda à segurança no Rio e que o mandato viabilizou mais de 8 mil títulos de propriedade na Maré. Isso é fala do gabinete, não checagem independente da Folha.
- Em 2025 era titular das comissões de Segurança Pública, de Desenvolvimento Regional e de Transparência (Senado).
Romeu Zema — governo de MG
- Renunciou em 22/03/2026. O UOL, citando o Relatório de Gestão Fiscal e o jornal O Tempo, registra rombo de caixa de R$ 11,3 bi em 2025. O Valor, em entrevista publicada em 27/03/2026, traz o orçamento de 2025 deficitário em R$ 5,2 bi (receita de R$ 141,7 bi, despesa de R$ 146,9 bi), o mesmo caixa negativo de R$ 11,3 bi e dívida com a União de R$ 187 bi. Para abater juros no Propag, o estado precisaria quitar 20% dessa dívida (Valor).
- A Assembleia autorizou a privatização da Copasa em dezembro de 2025, depois de o governo tirar a Cemig de uma PEC que dispensava referendo. A Cemig não foi vendida (O Tempo). A oferta da Copasa, de R$ 8,3 bi, com a Equatorial como investidor de referência (30%) e o estado reduzido a cerca de 5% com golden share, foi fechada em junho de 2026, já com Zema fora do cargo (Estado de Minas).
- Em julho de 2026, já ex-governador, Zema disse ter vendido participação ou privatizado 118 empresas e que só faltou a Cemig. É declaração dele, não um inventário auditado.
- O Valor registra que a Assembleia aprovou a federalização da Codemig e da Codemge. O projeto da Cemig ficou parado.
Ronaldo Caiado — governo de GO
- Renunciou em 31/03/2026, um dia depois de o PSD anunciá-lo candidato, e depois de ter deixado o União Brasil e se filiado ao PSD em 14/03/2026 (G1).
- Homicídio, série da SSP reproduzida pelo G1. Em 10/01/2024: 1.185 em 2022 e 1.042 em 2023 (−12%); contra 2018, de 2.117 para 1.042 (−50,8%). Feminicídio no mesmo recorte: de 36 em 2018 para 55 em 2022 e 2023. Em 31/01/2025 o G1 traz outra base para 2023 (1.072) e 945 homicídios em 2024 (−12%); feminicídio estável, 56 e 56. As duas notas não usam o mesmo número de 2023. Usei as duas como estão.
- Atlas da Violência, coberto pelo G1 em 26/05/2026: taxa de 44,2 por 100 mil em 2014 para 18,4 em 2024 (−58,4%). Entre 2019 e 2024, −43%. Goiânia, 14,7 por 100 mil em 2024, entre as cinco capitais com menor taxa estimada (G1).
- Letalidade policial, Folha de 11/07/2024: em 2022, 538 das 1.780 mortes violentas intencionais foram em intervenção policial (30,2%). Entre 2015 e 2018 essa parcela ficou entre 4,6% e 15,8%. A SSP disse à Folha que, a partir de 2020, a letalidade policial entrou em tendência de queda.
- Fiscal: não achei, em Folha, Estadão ou Valor, um balanço independente do caixa e da dívida que eu pudesse citar com o mesmo grau dos números de Minas. O que circula (fundo de estabilização, caixa de R$ 15 bi a R$ 17 bi) saiu de entrevista do próprio Caiado e de agência do governo. Fica de fora até haver veículo grande em cima do relatório oficial.